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MEDITA√á√ÉO V√ČDICA.
Por Ana Cristina da Luz

Meditação Védica.

Neste artigo pretendo de forma objetiva e simples introduzir certos conceitos fundamentais para a jornada do yoga e da meditação. Sim. Uma Jornada!

Um caminho longo e fascinante, pois as paisagens se modificam à medida que vamos trilhando. Algumas vezes  essa jornada é desafiadora outras vezes reveladoras  mas sempre transformadoras do pensamento e emoções humanas.

Primeiramente precisamos entender :  O que são os VEDAS?

Dentro da literatura védica e hindu, existem os Vedas que são os grandes sobre matemática, teoria atômica, astronomia, arquitetura, medicina ayurvédica  e sobre o “Ser”,  sobre a verdade do mundo. São considerados Patrimônio da Humanidade.  O Tratado que fala sobre o “Ser” são as Upanishads, que estão no final dos Vedas, por isso este conhecimento também é chamado de Vedanta - o conhecimento que está no final dos Vedas.

A Katha Upanishad  é a primeira Upanishad a falar sobre yoga.  

Na visão dos Vedas, a causa do sofrimento é a ignorância (avidya) e a solução é o conhecimento (vidya).

Ignorância do quê?  Conhecimento de quê?

R. Da verdade sobre “Quem sou Eu?”

Para entender “Quem sou Eu”, primeiro temos que entender quem “Eu não Sou”. Não sou o corpo, pois o corpo sofre as ações do tempo, está sempre se  modificando até a morte. Não sou a mente nem as emoções que sinto, pois também estão sempre oscilando, de acordo com o humor, com os gostos e aversões, etc.

Então, Quem sou Eu?  

Eu sou “Aquele que vê”. Aquele que vê as mudanças do corpo, da mente e das emoções, a Consciência que permeia tudo!

A Consciência individual é chamada de Jivatman e a Consciência Universal é chamada de Paratman.

A prática do yoga e da meditação, visam a compreensão dessa não separação da Consciência Individual e da Consciência Universal ou seja a visão  do “Todo”.

Precisamos então, descobrir o que significa essa não separação do “Todo”.  Pois é esse sentimento de separação que faz com que nos sintamos isolados e que tudo o mais é diferente de “mim”, isso nos deixa angustiados e em constante conflito: “Quem sou Eu? “O que estou fazendo aqui?” “Qual o propósito da vida?” São alguns dos questionamentos que surgem dentro de nós porque não  conseguimos enxergar a Totalidade.

 Ao entendermos a relação básica de nós mesmos com esse “Todo” e que estamos sujeitos a algo “desconhecido”, poderemos entender mais sobre nós mesmos.

Quem é esse “Todo”?

Esse “Todo” é a Ordem Cósmica.

As Leis infalíveis que criaram e mantém o Universo da qual fazemos parte, tais como as leis da física, da física quântica, a teoria atômica etc. Por exemplo, entendemos os ciclos lunares através da percepção direta, confiamos pela inferência (lógica) que o sol irá nascer no outro dia, assim como acreditamos em autoridades e estudiosos confiáveis mesmo quando não temos o conhecimento do assunto diretamente.

Aí entra um atributo muito importante no caminho: a CONFIANÇA (shraddha).

Confiança no ensinamento. Este pode vir através de uma experiência direta, através da lógica ou do testemunho de uma escritura, mestre  ou  uma autoridade, confiável.

Na tradição Védica os meios para a conquista dConhecimento sobre a verdade que nós somos  podem ser de 4 tipos:

Através do estudo/ reflexão -  Jnana Yoga;

Através da devoção - Bhakti Yoga;

Através da ação – Karma Yoga;

Através da meditação -  Raja Yoga.


As pessoas são diferentes e cada uma tem mais facilidade com um determinado meio de aprendizado, ou pode alternar de acordo com a fase da vida. São complementares e não excludentes.

O importante é seguir um caminho e perseverar. Vamos acabar com os pré-conceitos espirituais! Não existe o melhor caminho! O melhor caminho aquele que  se consegue permanecer, desfrutar e evoluir.  É seguir o caminho que contribua para a União, para o Dharma, para o Todo, para a manutenção da Vida e  da Ordem Universal. E entender  a necessidade de descobrir qual o “ meu” caminho individual para contribuir e não destruir o que quer que seja.

Enfim, existe uma Ordem no universo, e essa Ordem atua sobre todos nós. Essa mesma ordem está em nós! Mesmo a desordem está dentro da Ordem.

A desordem nada mais é do que o não entendimento da Ordem ou da lógica.

A resistência é a não compreensão da Ordem.

Exemplo: Meu escritório, os alunos chegam e acham que o escritório está bagunçado por ter, canetas, fichas, exames médicos, computador tudo exposto. E julgam estar em desordem, por não entenderem a minha lógica de deixar tudo na mão para facilitar o atendimento. A partir do momento que eles entendem a minha lógica, ele se acalmam e acolhem a minha forma de organização mesmo que seja diferente da deles.

Quando entendemos a ordem, nos acalmamos, porque sabemos que existe uma lógica, mesmo quando não a compreendemos intelectualmente. Isso é Confiança. Quando você confia você relaxa. Ex. Uma trilha  nova, quando fazemos uma trilha nova estamos descobrindo o caminho, reconhecendo o trajeto, os perigos, as inclinações, se o solo está escorregadio, etc no primeiro momento ficamos apreensivos e atentos a qualquer perigo que possa aparecer. À medida que conhecemos a  trilha, relaxamos e podemos então apreciar a beleza da paisagem, da vegetação e da diversidade de animais que vivem na floresta.

Nós buscamos essa capacidade de confiar. Confiar no que é confiável.

A mente oscila, nos engana em suas percepções assim como as emoções entorpecem a visão da realidade. Assim como o nosso corpo, acreditamos que não temos força, saúde capacidade suficiente para isso ou para aquilo e vice versa. Por isso não é na mente, nas emoções ou no corpo que devemos nos apoiar para descobrir quem somos.

E sim, no Ser, na Consciência que está presente em tudo a todo momento.

É a ‘Consciência  que  “percebe” o quê sentimos, como nos sentimos e o quê pensamos.

É essa Consciência para além do corpo, da mente e das emoções que queremos desvendar para nos reconhecermos como seres completos e plenos em nós mesmos a partir da meditação védica.

 

Por que meditação Védica? Em que consiste?

A Meditação Védica visa a descoberta do “Ser”. Essa descoberta surge a partir da não identificação com a mente, com emoções, com sentidos e principalmente com o ego, nos conduzindo a um estado de satisfação e plenitude em nós mesmos.

E o Yoga está dentro do conhecimento védico, no final dos Vedas. Este conhecimento foi sistematizado por Patanjali, a cerca de 2000 a.c e expõe um caminho de 8 disciplinas práticas para preparar  o corpo e a mente para o objetivo final de  autoconhecimento e plenitude: O Ashtanga Yoga de Patanjali.

Patanjali foi o codificador do Yoga clássico e autor do Yoga Sútra,  importante tratado sobre consciência. Supõem-se que ele teria vivido entre o séculos IV  e  II a.C. Todas as forma de yoga que se praticam hoje têm referência nesta obra.

Segundo o Estudioso Ricardo Corradini, “o Yoga Sútra de Patanjali possui um caráter quase científico, objetivo , experimental. (...) Patanjali deixou um legado fabuloso ao compilar e mapear procedimentos e reações psicológicas que permanecem válidos até os dias de hoje, pelo simples fato de que o ser humano ainda é o mesmo. Muito  do que  lá  está escrito foi redescoberto por ciências ocidentais modernas . Porém o Yoga Sútra versa sobre áreas  bem mais abrangentes do que  aquelas aceitas pela ciência. Seus ensinamentos abarcam desde condutas sociais coerentes até estados de consciência extremamente sutis e elevados, passando por práticas, psicologia, personalidade, sentidos, superação, razão, etc.

Enfim, o Yoga Sútra é uma espécie de manual para o praticante de Yoga.”

Mais adiante abordarei sobre a prática do  Ashtanga Yoga.

 

OS OBSTÁCULOS DA MEDITAÇÃO

Ao iniciarmos a prática da meditação é natural surgirem alguns obstáculos comuns que precisam ser ultrapassados gradativamente, sem violência mas com determinação. Estes obstáculos são seguintes:

- sono -  desde pequenos fomos educados a fechas os olhos, relaxar e dormir. Agora na meditação queremos o estado de relaxamento, de olhos fechados mas atentos a tudo sem dormir. Para vencer esse obstáculo é acordando  e se apoiando em uma determinada técnica.

- Mente em movimento/ distrações -  quando algum acontecimento não foi bem assimilado ou digerido ele vem à tona. Assim como  os gostos (ragas) e as aversões (dveshas), os planos e projetos pós meditação, etc. No momento da meditação a orientação é de observar os conteúdos que surgem, deixar vir , mas não se envolver. Cortar o fluxo e se apoiar na técnica é a solução. Em  um outro momento você irá refletir sobre os conteúdos que surgirem durante a meditação.

-Traumas -  o inconsciente tema função de soterrar certas coisas, quando não temos maturidade para interpretar a situação. O coração sente mas a mente não consegue processar. As angústias são um exemplo de coisas que colocamos para “debaixo do tapete”. Quando estamos em um ambiente confiável e seguro ( pode ser dentro da gente ou num colo afetuoso) essa sujeira de baixo do tapete tende a vir à tona. E quando vem, vêm com o mesmo sentimento, memórias e sensações. (Manduka Upanishad). Isso precisa ser limpado e ultrapassado.

- Bem estar – Como assim o bem-estar um obstáculo???

O bem-estar vindo da meditação pode nos aprisionar à medida que acreditarmos que só conseguiremos essa sensação com a meditação.

A meditação não produz felicidade! A felicidade é você!

Esse é o principal ensinamento do Vedanta e do Yoga.

Esse bem-estar e felicidade devem ser experienciada a todo o instante.

No dia-dia, no trabalho, no lazer, no descanso  e não apenas na “ sentada da meditação” senão só vamos trocando de “muletas”. E o Yoga e Vedanta nos ensinam  a nos percebermos inteiros, completos e plenos, mesmo vivenciando as dualidades da mente e do mundo.

 

Viver meditando é diferente de uma vida meditativa.

Viver meditando é uma espécie de escapismo enquanto que viver uma vida meditativa é viver uma vida de apreciação e contemplação no dia-dia.

Esclarecidos os obstáculos, vamos para prática da meditação!

Vimos que na meditação você descobre que você é a paz que tanto busca. Que você é o seu próprio refúgio.

Mas como não me influenciar pela mente, pelas emoções e pelos desejos? Através da prática de 8 disciplinas que conduzem à Plenitude:

O ASHTANGA YOGA DE PATANJALI.

 Vejamos algumas definições importantes:


O QUE É YOGA?


“O jungir de todas as forças do corpo, da mente e da alma com o Todo; significa a disciplina do intelecto, da mente, das emoções, da vontade, que é o que o yoga pressupõe; significa uma atitude de alma, que permite a alguém encarar a vida em todos os aspectos com equanimidade.” (Mahadev Desai apud B.K.S. Iyengar. A luz do Yoga, 1966)


“O yoga simplesmente expõe um caminho de auto-análise que se pode alcançar independentemente de qualquer teoria, crença ou religião. É caminho que conduz o homem a  se compreender verdadeiramente”. (Kupfer, Pedro. Yoga Prático, 2000)


“Yoga é habilidade na ação”.

Yogash Karmashu Kausahalam. (Bhagavad Gita)

Uma ação habilidosa é uma ação dotada de consciência, atenção.


  “Yoga é iluminação.”

Yogah Samadhi (Katha Upanishad)


Vamos nos apoiar no significado segundo  Patanjali:


 “Yoga é o aquietamento das modificações mentais”.

Yogash Chitta Vritti Nirodha  (Patanjali  I-2) 


Onde,

 Chitta- Complexo: Mente (manas) – memória;

                              Ego (ahamkara) – indentifica;

                              Intelecto (buddhi) – determina.

 

Vritts - modificações da mente que podem ser de 5 categorias:

1 - conhecimento correto -  pramána –  através da evidência direta como a percepção, através da lógica ou através do testemunho ou palavra de alguém aceitável e confiável.

2 - conhecimento errôneo – viparyaya –  constatado após estudo errado, baseado em hipóteses falsas, etc.

3 - ilusão - vikalpa -  imaginação, fantasia que repousa meramente em expressão verbal sem qualquer base fatual.

4 - memória – smrta – impedir a fuga de uma experiência.

5 -  Nidrá -  sono -  é a ausência não deliberada de qualquer conteúdo  de Chitta

Esses “chitta vritts” estão frequentemente compondo a paisagem mental e causando as distrações e desgastes psíquicos. É necessário domá-los.

Para isso Patanjali sistematizou uma prática efetiva que é a base para todas as meditações chamada  ASHTANGA YOGA DE PATANJALI.

O Ashtanga Yoga de Patanjali -  é o caminho com 8 orientações práticas para conquistar a iluminação/Sabedoria/ Autoconhecimento. Inicia no mais externo (conduta social) ao mais profundo (plenitude em nós mesmos):

1 – Yama (domínio) – não violência, cultivar a verdade, não roubar, foco, não possevidade.

2 – Nyama (disciplina) -  pureza, contentamento, austeridade, auto estudo, entrega.

3 -  Àsana - trabalho corporal – posturas psicofísicas

4 -  Pránáyáma  - exercícios respiratórios

5 -  Pratyahára - controle dos sentidos

6 – Dhárana -concentração

7 – Dhyána - meditação

8 – Samádhi – iluminação / sabedoria

 Samadhi ou Iluminação, é a meta do yoga e da meditação se conquista através do comando sobre a mente, do controle da influência da percepção dos sentidos,  através da concentração e foco no momento presente, da contemplação  do silencio e na meditação sobre o “Ser. A iluminação permite que enxerguemos as coisas e os fatos como eles são sem a perturbação dos Chitta Vrittis, para conquistarmos nossa verdadeira natureza que é 

 SAT – CHIT – ANANDA. (Verdade-Consciência-Plenitude).

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"A prática constante é o caminho para eliminar a ignorância". Yoga Sútras de Patanjali . 

 

OM TAT SAT

 




Fonte: Ana Cristina da Luz
MEDITA√á√ÉO V√ČDICA.
Por Ana Cristina da Luz
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